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Projeto “Tecendo Memórias” une moda sustentável, memória têxtil e troca de saberes entre comunidade e estudantes do UniAcademia

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Projeto “Tecendo Memórias” une moda sustentável, memória têxtil e troca de saberes entre comunidade e estudantes do UniAcademia

O curso de Design de Moda do UniAcademia participa do projeto “Tecendo Memórias”, iniciativa do IbitiProjeto que propõe o reaproveitamento criativo de roupas por meio de oficinas e ações comunitárias voltadas ao cerzimento, à moda sustentável e à preservação da memória têxtil.

A primeira atividade do projeto foi realizada no último sábado, 16 de maio, no Centro Comunitário de São José dos Lopes, reunindo moradores da comunidade, artesãos da Associação Linhas de Minas, equipe do IbitiProjeto e estudantes do UniAcademia em uma experiência marcada pela troca de conhecimentos e criação coletiva.

A proposta parte do remendo aparente e do reaproveitamento têxtil como práticas que extrapolam o simples reparo das peças, transformando roupas em registros de histórias, afetos e identidades. O projeto também prevê um concurso comunitário, com exposição e premiação de trabalhos produzidos a partir dessas técnicas, contribuindo para a valorização da memória têxtil regional. As peças selecionadas serão avaliadas por especialistas das áreas de moda, design e artes, e as criações premiadas passarão a integrar o acervo cultural do IbitiProjeto.

Além do impacto cultural e social, a iniciativa amplia as possibilidades formativas dos estudantes ao aproximar a experiência acadêmica das demandas e vivências da comunidade. Para a professora do curso de Design de Moda do UniAcademia, Raquel Salgado, a participação em projetos dessa natureza permite aos alunos compreender, na prática, o alcance social da profissão e da universidade.

“Este projeto, uma iniciativa do IbitiProjeto, aproxima os estudantes das possibilidades de atuação no mundo real. Conecta a vivência acadêmica com a comunidade, evidenciando o valor da universidade para além da sala de aula. Ao aproximar o conteúdo teórico da prática, amplia a visão dos alunos tanto como indivíduos quanto como os profissionais que em breve se tornarão”, afirma.

Durante as atividades, os estudantes desenvolvem pesquisas e experimentações inspiradas em técnicas ancestrais de reparo e reaproveitamento têxtil presentes em diferentes culturas, estabelecendo um diálogo entre tradição e contemporaneidade. Entre as referências trabalhadas estão práticas como sashiko e boro, do Japão; kantha, da Índia; e mending, da Inglaterra, fortalecendo debates sobre consumo consciente, inovação e responsabilidade socioambiental.

Segundo Raquel, pensar moda atualmente exige, necessariamente, enfrentar os impactos ambientais e produtivos da indústria têxtil.

“A discussão sobre sustentabilidade na moda hoje é de absoluta importância. Não há como falar de moda sem considerar os impactos da poluição gerada pela indústria têxtil no mundo. Todos somos responsáveis pelo que criamos, produzimos e consumimos”, destaca.

A docente avalia que o modelo acelerado de produção e consumo tem provocado distorções profundas na relação entre moda e sociedade, exigindo uma revisão crítica sobre os processos criativos e produtivos.

“Não existe futuro possível dentro da lógica do fast fashion e do excesso de consumo que vivemos atualmente. A moda perde seu sentido quando se torna apenas uma ferramenta de consumo desenfreado e produção de lixo. É urgente rever, com responsabilidade crítica, o papel do designer de moda contemporâneo — repensar o tempo, os processos e a quantidade”, pontua.

Nesse contexto, ela defende o fortalecimento de práticas alinhadas ao slow fashion e a valorização de profissionais que constroem caminhos alternativos ao modelo predominante da indústria.

“Também é fundamental pesquisar e valorizar os profissionais que caminham em direção ao slow fashion como forma de resistência ao modelo acelerado do fast fashion, que entendo como um caminho perigoso e equivocado”, ressalta.

A preservação dos saberes tradicionais aparece como outro eixo fundamental do projeto. Para Raquel, técnicas artesanais e conhecimentos ligados à cultura local oferecem novas perspectivas criativas e contribuem para uma produção mais consciente e autoral.

“Os saberes tradicionais oferecem uma maneira mais autêntica e consciente de produzir moda. Eles exigem um olhar profundo sobre técnicas, conhecimento de cultura local e respeito ao tempo de produção. Assim, as criações deixam de nascer do simples ‘copy and paste’ das referências imediatas do Instagram, Pinterest e afins, e passam a surgir do coração, da alma e das origens de quem cria”, observa.

A proposta do “Tecendo Memórias” também reforça o papel da extensão universitária como espaço de construção coletiva do conhecimento. Para a professora, a aproximação entre academia e comunidade beneficia todos os envolvidos e fortalece processos criativos mais plurais.

“Acredito que seja essencial aproximar os alunos da comunidade — e a comunidade dos alunos. Essas fronteiras precisam ser absolutamente porosas, pois a troca e a extensão do conhecimento são preciosas em ambos os sentidos”, afirma.

Raquel destaca ainda que a convivência entre estudantes, artesãos e equipe do IbitiProjeto amplia repertórios e produz aprendizados compartilhados.

“Alunos do UniAcademia, artesãos da Associação Linhas de Minas e a equipe do IbitiProjeto aprendem muito por meio dessa convivência e dessa troca de experiências. A verdadeira fonte do conhecimento e da criatividade está na diversidade: saberes distintos que se encontram, se complementam e enriquecem o todo”, conclui.

Ao aproximar estudantes, comunidade e saberes tradicionais, o “Tecendo Memórias” evidencia o potencial da extensão universitária como espaço de aprendizagem, diálogo e transformação social, reafirmando o compromisso do UniAcademia com uma formação conectada às demandas contemporâneas e à construção coletiva do conhecimento.

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